sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fw: Sugestões de pesquisa

 
----- Original Message -----
From: Isabel Cristina Ferreira
To:
Sent: Friday, July 11, 2008 3:58 PM
Subject: Sugestões de pesquisa


Olá,
repasso e-mail da minha orientadora com dicas de sites sobre leitura.
Bjs
Isabel

 
Se quiserem "passear pela Internet", vejam:
ENQUETE
Permite a construção de cenários e tendências sobre as práticas de leitura. Visite e responda e comente.
No ar uma enquete a respeito da frequência de interações pós-leitura de textos.
http://www.alb.com.br/pag_enquete.asp
LEITURIZANDO
4 super seções para o apoio pedagógico aos professores. Tem uma nova dica no ar!
http://www.alb.com.br/pag_apoioprofe.asp

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fw: CBNews - Um amigo se lembrou de você

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_1/2008/07/09/noticia_interna,id_sessao=1&id_noticia=18252/noticia_interna.shtml
título: Aprovado projeto que proíbe call centers de incomodarem consumidor no DF
comentario: Já passava da hora de pararmos de ser incomodados por empresas chatas.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

o triste fim de um treinador arrogante

O relógio marca 00h55, de 3 de julho de 2008. Ouço foguetes, que não comemoram a vitória do fluminense, mas a sua derrota. Meus vizinhos gritam. Eu mesmo já gritei. Adeus, nense. Adeus, nense...
Meeeengo, meeeeengo!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Re: Asa Branca

Oi, Clotilde!
Fico muito feliz com suas palavras sobre raízes, um tema tão caro ao ensino e tão relegado a segundo plano. Deixei no meu perfil um vídeo do Pink Floy ("Another brick in the wall"), em que a escola tradicional é criticada por anular individualidades, renegar origens culturais e, principalmente, por criar uma massa amorfa de montes de carne humana sem autonomia de pensamento.
Obrigado também pelas palavras sobre aquisição de escrita. Ficaria muito grato em receber sua monografia.
Um grande abraço.
Dioney
 
----- Original Message -----
From: Clotilde Simplicio Belo Mazochi
To: Dioney
Sent: Tuesday, July 01, 2008 6:02 PM
Subject: Re: Asa Branca

Oi, Dioney,
Fico meio sem graça por ser algo mais pessoal, pois falar de Gonzagão é falar da minha gente, de quem eu sou. Mas não tem problema, pode divulgar. Já sinto mt orgulho em ser filha de nordestina/pernambucana, assim ficarei mais ainda. Quando vc diz q é importante trabalhar com alegria, defino que isso é trabalhar deixando bem claras nossas raízes. Gostei muito da discussão a respeito da letra cursiva. Fiz minha monografia de final de curso com a Maria Luíza e foi sobre aquisição da escrita. Trabalhei uns 3 anos com criança de 4 anos no CEIC, e realmente, partindo da minha leitura sobre esse tema e da minha prática, a criança desenvolve o traçado cursivo quando tem domínio da sua coordenação motora fina, isso se dá com muito manusei de massinhas e diversas outras atividades lúdicas, não podemos nos esquecer dessa palavra, lúdico. Já pensou como é difícil pra uma criança desenhar a caligrafia cursiva, ela exige muito mais coordenação que a caixa alta, a qual tem o traçado menos fino e é sempre a que dominamos primeiro. Sempre falei para os pais terem paciência que seus filhos "aprenderiam " a letra cursiva. É claro q não é só esperar e pronto, é importante intervir e estimular com manuseios de materiais diversos, jogos de desenhos e outros. Uma boa indicação é Cagliari. Só pq vc disse q iria divulgar os textos, agora tenho q me monitorar mais, rs,rs. mas é só até ficar mais à vontade, tá?
 
Abraço,
 
Clotilde

2008/7/1 Dioney
Oi, Clotilde!
Fico por demais feliz com suas boas-novas. Também tenho a coleção a que você se refere. É lindo!!! Amo Gonzação, amo o nordeste, amo o POVO BRASILEIRO e suas línguas maternas!!! Seja bem-vinda ao grupo. Adorei suas participações!
Obrigado pela confiança e por compartilhar a sua pedagogia conosco.
Um grande abraço!
Dioney
 
p.s.: Você me permitiria divulgar sua mensagem no meu blog?
 
----- Original Message -----
From: Clotilde Simplicio Belo Mazochi
To: Dioney
Sent: Tuesday, July 01, 2008 5:08 PM
Subject: Re: Asa Branca

Oi, Dioney,
 
Essa versão da música não contém a variação dialetal, bem como óio, fornaia. Mas tenho a coletânea do Gonzagão original, remasterizada, com três cds e um livro de sua vida. Não é por acaso, pois minha mãe é conterrânea dele, é de Exu- PE.Eram essas músicas q animavam nossas festas em família. Quando as ouço e as danço sinto como se elas saíssem da minha alma e das minhas veias. É interessante essa coisa da identidade, principalmente no q concerne à lingüística. Fiquei mt feliz quando vi q vc havia trabalhado essa música, pena q ainda não estava no curso. O q foi uma grande coincidência 'foi q dei uma prova com esse texto ainda este ano e chegando na UnB os colegas me mostraram seu material de aula. Pensei: "Tô no lugar certo e na hora certa", uma vez q ainda estava insegura em largar minhas turmas. Ah, tmbm já trabalhei 5 anos com educação Infantil e já fiz com as crianças uma apresentação belíssima com a música Asa Branca na versão com vários intérpretes, ah... foi no CEIC, na Candangolândia. Desculpe me alongar demais, mas me empolguei.
 
Abração,
 
Clotilde
 
 

 

terça-feira, 1 de julho de 2008

Hamlet

25/5/2008 Dioney
Oi, Isabel!
Gostei da sua enquete, mas quando tento votar não funciona. Sobre subsídios, sugiro algumas leituras, como "Português ou Brasileiro" (M. Bagno) e "origens do português" (Naro & Scherre). A questão é que ninguém falou nesses termos ainda. Eu é que estou querendo abrir essa linha de trabalho, me baseando no seguinte:
1. o padrão é diferente do brasileiro, nossa língua materna;
2. o padrão não vai mudar tão cedo; logo, vamos continuar ensinando as regras de concordância, regência, colocação pronominal atípicas para nós;
3. com o ensino de padrão como segunda língua, podemos evitar a crise de línguas; continuamos a reconhecer nosso brasileiro e aprendemos o português padrão para situações específicas, em que ele é exigido;
4. evitamos a crise/angústia do aluno, que se vê sempre na seguinte posição: que língua que eu falo? eu não sei português? Ele pode até não saber português (padrão), mas brasileiro ele sabe muito bem; cabe, então, à escola, ensinar o português, sem interferir no brasileiro!
Abraços.
Dioney
 
----- Original Message -----
From: Isabel Cristina Ferreira
To: Dioney
Sent: Tuesday, June 24, 2008 6:43 PM
Subject: Ensino da língua padrão como 2ª língua

Olá Dioney,
 
gostaria de mais subsídios para explicar e argumentar com os meus cursistas a proposta de ensino da norma padrão como 2ª língua.
Fiz uma enquete no blog sobre o assunto e acabo de enviar e-mail aos cursistas falando superficialmente sobre o assunto e solicitando que votem, dê uma olhada e me diga se a enquete ficou bacana http://tessituraetextura.blogspot.com
Na quinta-feira eles vão comentar sobre o assunto e quero estar mais confiante.  Estou querendo um texto para a leitura inicial reflexivo e que sirva de mote para trabalhar suporte e domínio discursivo, você tem algo para me oferecer? Te aguardo, um grande abraço. Isabel

Asa Branca e A Volta a Asa Branca

 
 
Cara Josselita,
Muitíssimo obrigado pelos vídeos. São fantásticos e serão incorporados às minhas futuras aulas sobre o assunto.
Um grande abraço!
Dioney
 
p.s.: Convido a todos para passar pelo meu blog e entrar nas discussões quentes e interessantes que estão rolando lá (www.dioneygomes.blogspot.com) . Como estamos falando de blog, às vezes me verão escrevendo de maneira informal, linguagem possível para esse gênero textual, né Vângela?! Ainda estou aguardando seus comentários sobre o ensino de PSL a partir dos gêneros!!! Divina idéia!!!
p.s.2: Quem ainda não me escreveu, por favor o faça para eu repassar material e convidar para a minha página de Introdução à Lingüística no yahoo!!! :D (http://br.groups.yahoo.com/group/ilturmad/).
p.s.3: Josselita, eu tenho a "Volta da asa branca" cantada pelo Gonzagão. Envio em anexo!!! O mais interessante é que ele começa cantando Asa Branca e emenda com A Volta da Asa Branca. Mais interessante ainda, embora triste, é perceber o que o obrigaram a fazer com o seu sotaque. Vejam que ele altera boa parte dos seus traços regionais. Essa versão é de 1972, época em  que ele era obrigado pela pressão lingüística da classe média do Rio e de SP a "adequar" seu modo materno de falar ao que se considerava, erroneamente, como língua boa, a língua da elite sudestina, claro!!! Vale muito a reflexão e a comparação entre a versão original (de 1949) e essa!!! Curtam bastante, afinal o trabalho deve ser uma curtição saudável e alegre!!!
 
----- Original Message -----
From: JOSSELITA EVANGELISTA DA SILVA
To:
Sent: Monday, June 30, 2008 6:41 PM
Subject: Asa Branca
 

Olá,

encontrei estes vídeos no youtube e os utilizei junto com aquele material q o Dioney nos entregou na primeira aula dele, lembra? O primeiro vídeo apresenta o Luiz Gonzaga mostrando a Asa Branca, o motivo do nome e a música. O segundo mostra a música A volta da Asa Branca, composta alguns anos depois e q não é muito conhecida, o melhor que achei foi este com o Tom Zé, mas existem outros no youtube:http://www.youtube.com/watch?v=u7mDEIH8dPw

http://www.youtube.com/watch?v=XI0PNxTHqwU

encaminho também as perguntas que foram formuladas e construidas com os cursistas no decorrer do curso até agora (é uma cópia do material que coloquei no e-mail deles)

Até mais,

Josselita.



Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Ana,
Muito obrigado por sua colaboração. As informações são super-úteis!
Beijo.
Dioney
 
p.s.: Caros tututores, por favor, entrem no meu blog (www.dioneygomes.blogspot.com ). Tem uma discussão fantástica lá!!! :D
----- Original Message -----
From: Ana Dilma Almeida
To: Ricardo
Cc: Dioney
Sent: Tuesday, July 01, 2008 9:13 AM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Oi, Ricardo!
Ao ler sua resposta, eu me vi posicionada em meus diferentes papéis.
Compreendo suas dúvidas e angústias e costumo lidar com a maior parte delas no meu dia-a-dia. Sou mãe, minha filha tem 4 anos e também está em processo de alfabetização. Fui alfabetizadora durante anos e atualmente trabalho com formação de professores da área de linguagem. Costumo viajar muito, inclusive atuando no Programa Pró-Letramento do MEC. Trabalho na formação de professores tutores de mais de uma centena de municípios e posso dizer que conheço um pouco da realidade educacional tão diversa e adversa desse nosso país. Acredito e defendo práticas fortalecedoras e de empoderamento! Assim, se você quiser, podemos conversar um pouco mais. Dioney tem meus telefones. Estou à disposição! De qualquer forma, acredito que você já deve ter encontrado informações sobre o Provinha Brasil. Mas vai a sugestão abaixo (http://provinhabrasil.inep.gov.br/).
Abraços.
Ana

Perguntas e respostas

O que é a Provinha Brasil?

A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica que permite auxiliar professores, coordenadores e gestores a identificar o desempenho de alunos em processo de alfabetização, no 2º ano de escolaridade do Ensino Fundamental. A intenção é que as informações geradas ajudem a compreender quais são as capacidades já dominadas pelos alunos e quais deverão ser apreendidas ao longo do ano escolar.

Para que serve?

A Provinha Brasil serve para oferecer às redes de ensino um instrumento para acompanhar a evolução da qualidade da alfabetização, prevenindo assim, o diagnóstico tardio dos déficits de letramento. Dessa forma, contribui para a melhoria da qualidade de ensino e a redução das desigualdades, em consonância com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional.

Por que avaliar?

Para saber, a tempo de sanar eventuais problemas, quais capacidades de leitura os alunos possuem e quais capacidades eles não possuem.

Foram identificados, em alunos da 4ª série, problemas como baixa proficiência nas provas de leitura - e a falta de domínio de leitura pode inviabilizar o bom prosseguimento dos estudos. Assim, para atuar preventivamente, é necessário detectar dificuldades e defasagens dos alunos na fase inicial de modo que as intervenções possam acontecer no momento certo.

Quem avalia?

O Ministério da Educação, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) elaborou um conjunto de instrumentos de avaliação disponibilizado aos gestores das redes. A aplicação fica a critério das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação.

Quem aplica?

O teste foi elaborado de forma que o próprio professor possa aplicá-lo. No entanto, a critério do gestor, outras pessoas podem aplicar o teste, como professores de outras turmas ou coordenadores pedagógicos de outras escolas, desde que devidamente capacitados. Como essa avaliação tem características distintas das realizadas no quotidiano escolar, para aplicá-la, é necessário seguir atentamente as orientações contidas no documento "Caderno do professor/aplicador".

Quem corrige?

Os resultados também poderão ser corrigidos pelo próprio professor da turma (ou pelo aplicador do testes), a partir do Guia de Correção, que traz as orientações de como corrigir os testes e de como interpretar os dados. Assim, o professor poderá saber o nível de desempenho de sua turma de modo imediato. Da mesma forma, os resultados de cada turma poderão ser coletados e agregados de modo a ser ter um panorama da escola, da regional de ensino ou de toda a rede (municipal ou estadual).

Quem será avaliado?

A Provinha Brasil foi preparada para avaliar a aprendizagem das crianças após um ano de escolarização. Nas escolas cujo Ensino Fundamental tem duração de nove anos (onde as crianças ingressaram aos seis anos de idade), os estudantes deverão fazer o teste no 2º ano (quando tiverem sete anos). Já nas escolas que ainda mantêm o Ensino Fundamental com duração de oito anos (ingresso das crianças aos sete anos de idade), os estudantes deverão fazer o teste na 2ª série (quando tiverem oito anos).

Apesar da diferença na média de idades dos alunos que farão o teste, isto não representa problema, visto que o foco dessa avaliação está na contribuição da educação formal para a alfabetização – por isso se tomou como referência os anos de escolaridade.

O que será avaliado?

Na Provinha Brasil serão avaliadas habilidades relativas à alfabetização e ao letramento inicial dos estudantes.

Como nem todas as habilidades a serem desenvolvidas durante o processo de alfabetização são passíveis de verificação por meio da Provinha Brasil, em vista das características específicas do instrumento e da metodologia utilizada foi necessário selecionar algumas dessas habilidades para construir o teste.

Assim, as habilidades definidas para avaliar a leitura e a escrita são aquelas que podem dar informações relevantes em função dos objetivos propostos e das condições impostas no âmbito desta avaliação.

Tais habilidades foram organizadas e descritas na "Provinha Brasil - Matriz de Referência Para Avaliação da Alfabetização e do Letramento Inicial".

As habilidades constantes na Matriz de Referência estão fundamentadas na concepção de que alfabetização e letramento são processos a serem desenvolvidos de forma complementar e paralela, entendendo-se a alfabetização como o desenvolvimento da compreensão das regras de funcionamento do sistema de escrita alfabética e letramento como as possibilidades de usos e funções sociais da linguagem escrita, isto é, o processo de inserção e participação dos sujeitos na cultura escrita.

A matriz é apenas uma referência para a construção do teste, é diferente de uma proposta curricular ou programa de ensino, estes últimos mais amplos e complexos.

Matriz de Referência de Avaliação em Alfabetização e Letramento: Provinha Brasil

Eixo
Descritores de Habilidades
Apropriação do sistema da escrita
D1. Diferenciar letras de outros sinais gráficos, como os números, sinais de pontuação ou de outros sistemas de representação.
D2. Identificar letras do alfabeto
D3. Reconhecer palavras como unidade gráfica.
D4. Distinguir diferentes tipos de letras.
D5. Identificar sílabas de palavras ouvidas e/ou lidas.
D6. Identificar relações fonema/grafema (som/letra).
Leitura
D7. Ler palavras.
D8. Localizar informação em textos
D9. Inferir informação.
D10. Identificar assunto de um texto lido ou ouvido.
D11. Antecipar assunto do texto com base em título, subtítulo, imagens.
D12. Identificar finalidades e funções da leitura em função do reconhecimento do suporte, do gênero e da contextualização do texto.
D13. Reconhecer a ordem alfabética.
D14. Estabelecer relações de continuidade temática.
Escrita
D15. Escrever palavras.
D16. Escrever frases.
D17. Escrever textos.*
* Por questões operacionais, o descritor D17 não foi contemplado na primeira edição da Provinha Brasil.

Como será o teste?

O teste desta primeira edição de 2008 é composto por 24 itens de múltipla escolha, com quatro opções de resposta. Há itens que o aplicador deverá ler em sua totalidade. Outros, o aplicador deverá ler parcialmente. Há, ainda, itens que serão lidos apenas pelos alunos. Há três itens de escrita.

O teste foi organizado por conjuntos de itens, divididos entre aqueles considerados "fáceis", "médios" e "difíceis" para a etapa da escolaridade à qual se destinam.

A organização dos itens por níveis de complexidade reforça o caráter pedagógico que se quer alcançar com a Provinha Brasil. O equilíbrio entre questões mais "fáceis" e questões mais "difíceis" dará visibilidade às competências exigidas no processo de alfabetização, de modo a integrar as suas diferentes etapas e os diferentes saberes nelas envolvidos.

Nesta primeira versão os testes de escrita e seus manuais de correção se resumirão às habilidades escrever palavras e frases, não se inclui ainda a habilidade de escrever textos pois exige uma grade de correção mais sofisticada, ainda em desenvolvimento.

Apenas os itens de múltipla escolha foram utilizados como base para a construção dos níveis de desempenho. Os itens de escrita possuem uma grade de correção à parte. Sendo assim, para análise dos resultados do teste deve-se considerar os dois elementos. A integração dos dois instrumentos numa mesma grade também esta sendo desenvolvida.

Quando será a avaliação?

A proposta é que sejam aplicados instrumentos ao longo do segundo ano de escolarização do Ensino Fundamental. A avaliação poderá ser realizada no início do ano letivo, como uma avaliação de sondagem, e também ao término, com o intuito de verificar o avanço das crianças no processo de alfabetização.

Será aplicada apenas uma prova por ano?

O Inep disponibilizará duas provas, em dois momentos distintos. No primeiro semestre de cada ano, será disponibilizado um instrumento a ser aplicado ainda no início do ano letivo. No segundo semestre, será oferecido novo instrumento, para ser aplicado no final do ano.

Esses testes têm resultados comparáveis e isso possibilitará às secretarias avaliar o progresso no processo de aquisição de competências e habilidades por parte do alunado ao longo deste período de escolarização.

Qual a vantagem de aplicar dois testes no mesmo ano?

A proposta de avaliar no início e ao término do segundo ano de escolarização possibilitará aos professores e gestores educacionais:

a) a realização de um diagnóstico dos níveis de domínio dos códigos e de compreensão da leitura e da escrita que as crianças demonstram já no início do ano letivo;

b) o conhecimento posterior do que foi agregado ao desempenho dessas mesmas crianças ao término desse período;

c) o monitoramento do desenvolvimento de cada criança, com base nas informações coletadas por essa avaliação;

d) o aperfeiçoamento e a reorientação das práticas pedagógicas com vistas à consecução de níveis satisfatórios de alfabetização e letramento.

Quais as informações geradas por esse tipo de avaliação?

Uma avaliação da fase inicial da alfabetização pode trazer para o professor e para o gestor da escola informações que vão contribuir para o aperfeiçoamento e a reorientação das práticas pedagógicas, de modo a permitir níveis mais satisfatórios de alfabetização e letramento do que aqueles apresentados atualmente.

Entre outras informações é possível prever:

  • Quais capacidades de leitura e escrita os alunos dominam?
  • Quais capacidades de leitura e escrita a escola agregou ao desempenho de seus alunos em um ano de escolaridade?
  • Quais dificuldades em leitura e em escrita os alunos apresentam ao final de dois anos de escolaridade?
  • Quais capacidades necessitam a ser consolidadas ainda nos anos iniciais do Ensino Fundamental?

Quais os benefícios de participar do processo de avaliação?

A participação numa avaliação como a proposta traz benefícios para todos os envolvidos no processo educativo:

  • Os alunos poderão ter suas necessidades melhor atendidas mediante o diagnóstico realizado e, assim, espera-se que o seu processo de alfabetização aconteça satisfatoriamente.
  • Os professores alfabetizadores contarão com um instrumental valioso para identificar de forma sistemática as dificuldades de seus alunos, possibilitando a reorientação do que ensinar e de como ensinar. Além disso, as análises e interpretações dos resultados e os documentos pedagógicos a eles relacionados poderão constituir uma fonte de formação.
  • Os gestores poderão fazer escolhas bem fundamentadas em sua gestão, ganhando elementos para o planejamento curricular e subsidiar a formação continuada dos professores alfabetizadores, a fim de melhorar a qualidade do ensino em sua rede.

Como participar?

A Provinha Brasil é de adesão voluntária e aberta a todos os gestores das redes públicas estaduais, municipais e do Distrito Federal, bastando que os mesmos procedam da seguinte forma:
  • realizar a adesão por meio desta página eletrônica, prestando as informações necessárias e declarando concordância com os termos e condições de utilização ali expressos;
  • acessar os materiais (Kit) em versão eletrônica por meio de senha própria.

Um total de 3.133 municípios receberão o material impresso. Ele será entregue na secretaria municipal de educação.

O que compõe o KIT Provinha Brasil?

O material da Provinha é composto por:

  • Provinha Brasil – Passo a Passo – um guia contendo as principais informações como antecedentes, contextualização, pressupostos, matrizes, metodologia, escala e possibilidades de uso e interpretação das informações;
  • Provinha Brasil – Caderno do Aluno - é a prova do aluno a ser impressa e que o aluno usará durante a avaliação – composto por 24 itens de múltipla escolha e 3 itens de escrita;
  • Provinha Brasil - Caderno do professor/aplicador – orientações específicas para a aplicação das provas com a reprodução do Caderno do Aluno acrescidos dos comandos e orientações a serem usadas no momento da aplicação. Este documento também contém orientações de correção e comentários pedagógicos sobre a prova;
  • Provinha Brasil – Como Entender os Resultados – Guia de Correção" – manual para interpretar os resultados da avaliação;
  • Provinha Brasil - Reflexões sobre a prática – orientações, sugestões e ações a serem implementadas no âmbito pedagógico e administrativo.

Qual a diferença entre Provinha Brasil, SAEB e a Prova Brasil?

As principais diferenças entre esta avaliação que está sendo proposta e as já existentes relacionam-se ao tipo de informações produzidas e ao objetivo de cada uma delas.

A Provinha Brasil fornecerá respostas diretamente aos alfabetizadores e gestores da escola, enquanto os resultados do SAEB e da Prova Brasil, embora sejam muito úteis a professores e gestores, permitem informações mais amplas no âmbito do sistema educacional (do país, dos estados, dos municípios e escolas). Reforça-se, assim, a idéia de que esta atual proposta seja uma avaliação diagnóstica – um instrumento pedagógico sem finalidades classificatórias.

O SAEB e a Prova Brasil são avaliações externas, ou seja existe sempre um aplicador externo à rede e aos alunos que participam do processo de avaliação, sendo o INEP o responsável pela aplicação. No caso da Provinha Brasil, o aplicador não necessariamente é elemento externo aos alunos já que a própria rede tem a opção de aplicar os instrumentos com seus próprios professores, cabendo ao INEP a responsabilidade de elaboração e montagem dos instrumentos.

Na Prova Brasil e no SAEB o processamento, as análises, a interpretação e a divulgação dos resultados são de responsabilidade do INEP. Em função da utilização de metodologias e técnicas estatísticas complexas, os resultados de apuração e divulgação não são imediatos. Na Provinha Brasil o processamento e a interpretação dos resultados podem ser feitos pelas próprias redes pois, apesar de o instrumento ter sido construído pelo INEP com rigor estatístico antes de aplicação, ele permite uma leitura e interpretação imediata dos resultados por parte dos professores/gestores das redes.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos p...

Véi,
Sinceramente, concordo com todas as suas preocupações. O ensino automatista e atomista ainda é uma realidade, que tentamos pouco a pouco mudar. Há bons profissionais levando uma nova postura às escolas, sobretudo às do interior. Estou começando a vivenciar essa mudança de atitude com os professores que estão sob minha responsabilidade na formação continuada dada pela UnB. Suas ponderações terão de causar reações em todos eles, que nos lêem também, pois estou publicando essas conversas sobre Educação no blog (http://www.dioneygomes.blogspot.com/ ). Espero que não se importe.
Confundir alfabetização com letra cursiva e, pior, exigir caligrafia é o cúmulo das atuais metas da Educação Pós-Freiriana!!! Temos de investir no bem-estar da criança na escola, com aulas criativas e voltadas para a Alfabetização e o Letramento (aqui sigo Magna Soares). Também não concordo com geração espontânea de conhecimento e muito menos com o típico professor-sabe-tudo. Deve haver um equilíbrio aí. Ofereça algo ao seu aluno, mas, principalmente, deixe ele compartilhar em sala o vasto conhecimento que já tem. É tão óbvio e tão fácil para mim, como professor, que ainda não entendi por que se reluta tanto em dar voz ao aluno!!!
Sobre a exigência de letra cursiva, estamos levantando dados reais. Te manteremos informado.
Obrigado pela bela discussão proporcionada. Volto a dizer que estou à disposição para ir à escola do Gustavo quando você quiser. Já será um bom treino para mim que, quando tiver filhos, morarei na escola por uma semana para ver como as coisas andam ou não andam! :D
Abração!
Dioney
----- Original Message -----
Sent: Monday, June 30, 2008 2:08 AM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos p...


Fala véi,

As coisas estão todas truncadas aqui. Fiz uma reclamação geral sobre o sistema de avaliação que o MEC usa devido ao impacto que isso gera na pressão sobre os professores. Isso tudo devido à reportagem que você me enviou, sobre a síndrome de burnout, uma reportagem bem clara!

As metas não são apenas da Provinha Brasil, mas também do IDEB. Há metas. Meta quer dizer objetivo, que precisa ser alcançado, pressão. Não precisa pensar muito pra entender o que significa meta. Essas metas infestaram o país desde os tempos de FHC. Depois do neoliberal, tudo passou a perseguir a eficiência. A eficiência máxima é algo perseguido na engenharia, e na burocracia do Estado! Weber fala muito disso. Ao contrário de Marx e Durkheim, Weber era muito pessimista. Sabia que a tecnocracia das organizações exige eficiência, estudo, competência dos funcionários. É o diploma que conta! Seu pessimismo se encontra no fato de que não via saída alguma para a sociedade moderna, ao contrário dos outros dois (precisaria de um lado político para isso). Talvez estivesse certo. Olha isso: "competências que a criança deve atingir nesse período, mas caso ela não tenha atingido o nível máximo, a escola deve trabalhar, com tranqüilidade". Com tranqüilidade é um eufemismo que a síndrome de burnout não conhece.

Ao criticar o sistema de provas, e acho que crianças não devem fazer provas, pois a educação de crianças não deve ser técnica e, sim, humanista, falei das metas (que eu sei que existem no IDEB, principalmente), porque cria-se uma cadeia de pressões que culminam no adoecimento dos professores e dos alunos, e de nada adianta as boas intenções dos entendidos do MEC, porque de boas intenções o inferno tá cheio, e falei sobre o problema da letra cursiva (letra, não letrinha, já que a letra das crianças é do mesmo tamanho, e muitas vezes maior, o que causa neuras no professor), algo que é, digamos, endêmico no DF. A neura não é minha, é dos professores do DF (e quiçá de outros estados). Quem tinha que conversar com todo o sistema educacional brasileiro era o MEC, não eu. Eu pago meus impostos. Todos os colégios acham importante por um motivo ou outro o diabo da letra cursiva. Imagina se Pero Vaz de Caminha visse a letra cursiva dos professores. Iria achar que são garranchos. Então, qual a letra cursiva mais bonita? Mas a professora (que vai estourar com burnout) falou que era cobrado na provinha brasil. Como eu adoro provas, já deu para perceber, juntei tudo num balaio só. E isto é correto, já que provas para crianças pequenas (mesmo as de boas intenções) devem ficar todas no balaio da porcaria (e olha que como resolvedor de provas sou excelente, pois fui muito bem criado nesse sistema).

O colégio gosta é de aplicar os testes da psicogênese. Não que seja errado. Acho interessante o professor fazer isso. Quem me contou foi o próprio Gustavo. Mas acho que já é uma preocupação com a Provinha Brasil, que a escola não deveria se preocupar, pois deveria ser tudo espontâneo, já que ninguém vai cobrar metas e a síndrome de burnout não existe.

E quanto a cobrar ortografia, por favor, cunhadinho, você é o entendido do assunto. Ortografia? A própria palavra é preconceituosa. Traz a noção do certo e errado. Olha isso: "35% das crianças estão saindo da fase de alfabetização sem reconhecer os elementos mínimos da ortografia". O que diabos tem a ver alfabetização com ortografia? Deixa pra lá, isso é com você e eu sei o tanto que você adora ortografia, talvez mais que eu as provas. :D

Não adianta tentar mudar a visão da escola. É a visão da sociedade. Na reunião com os professores, os pais exigem provas, mais deveres de casa e letra cursiva (além das orações no início de cada aula e antes do lanche, os momentos mais importantes da aula). O MEC mal sabe o que acontece na escolas da UF em que ele tem sede. Imagina no interior do país.

Eu não tenho muito problema com letra cursiva. O Gustavo até está aprendendo bem rápido. Ele tem um vocabulário enorme e, mesmo que não soubesse escrever (e ele sabe escrever um monte em letras de forma), já seria mais alfabetizado que muita gente por aí que escreve. Ele podia estar aprendendo outras coisas agora, mas letra cursiva é bom para treinar desenho e coordenação motora. A sua visão será crítica quanto a isso. Já é crítica quanto as orações, quanto às provas... :D. Eu fico pensando é nas outras crianças que os professores concluem que tem "dificuldades". Têm crianças lá que, quando você observa na hora do intervalo, são perfeitamente normais. São crianças! Mas, quando vem a reunião com os pais, você vê os professores assim: fulano, seu filho ainda está na fase pré-silábica, mas está evoluindo bem, está certo para a idade, mas vou ter que dar uma puxadinha nele. É muito intessante isso tudo. A gente vê tentativas de mudanças (antigamente era muito pior, eu sei, o professor já chegava e chamava de burro), mas as mudanças giram em torno de um mesmo centro de gravidade.

Esse é um fenômeno no DF. A Lili, com os projetos da Pedagogia em que ela se envolve, vê coisas inacreditáveis nas escolas.

Mas, e aí? No final, não entendi. Tem ou não tem letra cursiva na Provinha Brasil? Em outras palavras, é espontâneo, tudo bonito e talz, mas eles avaliam quem escreve com letra cursiva ou não? Quem espontaneamente responder com letra cursiva terá um desempenho melhor? Se sim, infelizmente a escola está certa, em consonância com as metas. Ensina letra cursiva aos alunos, de forma "gradual" e "tranqüila", pois seu papel é acompanhar os parâmetros avaliados pelo MEC. Afinal, a alfabetização que o MEC avalia, infelizmente, não brota ou nasce espontaneamente na criança. É construída com interferência do professor. Se não, então a letra cursiva é perda de tempo.

Outras dúvidas, a Provinha Brasil possui tempo máximo para ser realizada ou ela pode ser realizada no tempo da criança? Por que o nome "Provinha", já que deve ser respondida natural e espontaneamente? Provinha é porque é pequena ou é para deixar delicada para as crianças? Ela prova o que?

Um abraço,
Ricardo

Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Obrigado, Tamar!
Abraços.
Dioney
----- Original Message -----
Sent: Monday, June 30, 2008 11:18 AM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...


Dioney,
Só vou estar novamente na Regional na quarta-feira, daí a até o final da semana eu te dou um retorno.

Um abraço

Tamar


Sent: Monday, June 30, 2008 12:23 AM
To:
Subject: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...


Olá, Tamar!
Não é intromissão não. Publiquei a discussão de propósito para ouvir outras pessoas. Ficarei muito grato se puder conferir essa história de letra cursiva!
Abraços.
Dioney

Fw: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Meus queridos,
A discussão está ganhando ares muito legais. Agradeço a contribuição da Ana, que é magnífica, e a da Tamar, que está se mostrando bastante empenhada.
Meu cordial abraço a todos!
Dioney

p.s.: Cunhadinho querido, você tem total liberdade para responder a todos os membros dessa lista, pois é pai-educador e um pensador-acadêmico também. Suas angústias são muito bem-vindas.

----- Original Message -----
From: Ana Dilma
To: Dioney
Sent: Monday, June 30, 2008 9:22 AM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...


Dioney, é maravilhoso ampliar nossos múltiplos letramentos a partir de interações tão produtivas! Você está conseguindo isso, meu amigo! Patrícia Nunes falou em otimismo e eu ratifico as palavras dela. Acredito na educação de qualidade, no empenho dos educadores em fazer o melhor e penso que a formação continuada é importantíssima para que nossas concepções sejam ampliadas, especialmente no que diz respeito ao processo de alfabetização e letramento. Para contribuir com o esclarecimento sobre a questão da letra cursiva, passo a palavra ao competente grupo do Ceale - Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da UFMG do qual Magda Soares faz parte. O 1º fascículo do Programa Pró-Letramento - Capacidades Lingüísticas para alfabetização - discute sobre a apropriação do sistema de escrita (p.23). Sugiro a leitura dos tópicos (p.29 a 31): 'Compreender a categorização gráfica e funcional das letras' e 'Conhecer e utilizar diferentes tipos de letra (de forma e cursiva) para uma compreensão imediata dessa questão. Mas, como pesquisadora da área de Alfabetização,Letramento e Formação de Professores, considero a leitura dos fascículos do Pró-Letramento obrigatória para todos que trabalham na perspectiva da educação (sócio)lingüística. É isso aí!
Beijos!
Ana

Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos p...

Olá, Tamar!
Não é intromissão não. Publiquei a discussão de propósito para ouvir outras pessoas. Ficarei muito grato se puder conferir essa história de letra cursiva!
Abraços.
Dioney
----- Original Message -----
From: Tamar
To: Dioney
Sent: Sunday, June 29, 2008 8:34 PM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos p...


Ah...
Descupe a intromissão, mas como o e-mail chegou pra mim, eu o estou respondendo...rs..rs
Tem mais um detalhe. Essa avaliação não foi feita de forma aleatória, nem arbitrária, tem todo um material de orientação de trabalho, inclusive eu tive acesso ao material, posso conferir essa história de letrinha cursiva, se for o caso..
Tamar



From: Tamar
Sent: Sunday, June 29, 2008 8:26 PM
To: Dioney
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos p...


Caro Cunhado do Dioney...

Segundo os entendidos no assunto, o objetivo da Provinha Brasil é a análise dos problemas de leitura e interpretação da criança, ou seja, descbrir o nível de alfabetização em que a criança se encontra. para que esta não chegue lá na quinta série com sérios problemas de alfabetização. Uma vez que, segundo o último senso, 35% das crianças estão saindo da fase de alfabetização sem reconhecer os elementos mínimos da ortografia. Ainda segundo os tais entendidos, a provinha foi formulada dentro das habilidades e competências que a criança deve atingir nesse período, mas caso ela não tenha atingido o nível máximo, a escola deve trabalhar, com tranquilidade, durante os dois anos que faltam para o desenvolvimento pleno da alfabetização. Portanto, há um equívoco nessa história de letrinha cursiva e de caderno de caligrafia por vários motivos:

1º - a meta da escola, segundo o governo local, é que se aumente em 20% o rendimento da escola com relação ao senso do ano anterior e diminua o índice de evasão escolar em 35%;
2º - a Provinha Brasil é um instrumento utilizado pelo MEC e não tem uma vinculação direta e irrestrita com as metas locais. elencadas acima;
3º - o professor não deve treinar a criança para responder a Provinha Brasil, ela deve ser uma resposta expontânea da criança para que, posteriormente, se trabalhe os problemas encontrados.

Sendo assim, não entendi essa neura com letrinha cursiva, pois se o objetivo e perceber o nível das crianças, a professora deveria deixar para trabalhar isso de forma natural e não forçada, pois isso prode provocar a bendita evasão que o governo tanto quer evitar...

Converse com a escola do seu filhos, alguma coisa não foi bem interpretada a esse respeito.

Tamar

domingo, 29 de junho de 2008

Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos professores

Meu querido cunhadinho,
Concordo plenamente com você. Que história é essa de letra cursiva? Absurdo exigir algo assim em tempos de democracia com respeito à letra a ser usada em textos formais!!! As avaliações precisam ser revistas sim para dar conta de conhecimento não-formal também.
Se quiser, vou pessoalmente falar com essa professora!
Grande abraço e beijo no Gugu, meu sobrinho fofo, lindo e inteligente!
Dioney

----- Original Message -----
From: Ricardo Tadeu
To: Dioney
Sent: Sunday, June 29, 2008 4:28 PM
Subject: Re: Fw: Síndrome atinge 15% dos professores


Pois é véi!

E com as metas do governo com essas provas desgraçadas que ele aplica para a educação fundamental a coisa fica cada vez pior. A secretaria de educação pressiona os diretores pela meta a conquistar na próxima avaliação. O diretor pressiona o professor. E este tenta fazer mágica pressionando os alunos para obter mais e mais notas em prova.

Um exemplo, na primeira série não existe prova. O Gustavo não faz prova. Mas, na segunda série já existe a tal da Provinha Brasil. E o pior. Segundo a professora, a letra cursiva é exigida! Assim, eles já estão sendo preparados na primeira série a entrar no mundo tecnicista das provas. Eles fazem alguns simulados de prova. E a professora exige caderno de caligrafia para a criança praticar em casa. Ela passa a responsabilidade para os pais. Nós já falamos pra ela que não temos o menor interesse em ensinar letra cursiva ao Gustavo. Apenas é interessante do ponto de vista motor e do fato de conhecer uma nova grafia. Mas isso não justifica a pressa. Mas ela está com pressa. A Provinha Brasil irá avaliar a escola. O diretor pressiona, ela pressiona. Ela vai explodir, as crianças vão explodir. Se não fosse essa merda de prova, o Gustavo poderia estar estudando coisas mais úteis no horário da caligrafia, como inglês ou astronomia. Não vejo o menor fundamento para provas na educação inicial. As provas deveriam começar a aparecer mais tarde, por volta da sexta série. Mas se o governo utiliza prova em suas avaliações de 1ª a 4ª série, pois é mais barato (poderia pagar observadores que acompanhariam as turmas durante alguns meses), vamos fazer o que? E o professor vai continuar explodindo. Tem aluno que sabe um quilo de coisas mais ainda não sabe ler direito. Isso na quarta série. Assim, a prova o avalia com pouco desempenho, já que ele não entende o enunciado das provas. Às vezes, o enunciado não se faz inteligível na língua própria dele. Esse é outro problema. Mas o moleque solta pipa e constrói carrinho de rolimã. Então ele conhece um monte de coisa de fĩsica sem saber. Claro que nem tudo no MEC é merda. Muito das metas abusivas que existiam lá nos tempos de FHC foram abolidas e passaram a entrar outros programas, inclusive de orientação para professores. Mas as provas continuam e com letra cursiva!? Será que essa professora está certa?

[]s

Ricardo


FONTE: www.unb.br (acesso:18/06/08)

Síndrome atinge 15% dos professores

Pesquisa da UnB com 8,7 mil docentes revela alta incidência
de burnout, que pode comprometer ensino

Uma pesquisa feita com mais de 8 mil professores da educação básica da rede pública na região Centro-Oeste do Brasil revelou que 15,7% dos entrevistados apresentam a síndrome de burnout, que reflete intenso sofrimento causado por estresse laboral crônico. A enfermidade acomete principalmente profissionais idealistas e com altas expectativas em relação aos resultados do seu trabalho. Na impossibilidade de alcançá-los, acabam decepcionados consigo mesmos e com a carreira.

O estudo confirma a vulnerabilidade do docente à síndrome, pois o excesso de exigências auto-impostas, associadas a condições precárias de trabalho, bem como à falta de retribuição afetiva, expõem o profissional a um desgaste permanente. Assim, a tensão gerada entre o desejo de realizar um trabalho idealizado e a impossibilidade de concretizá-lo acaba por levar o profissional a um estado de desistência simbólica do ofício.

Essa condição, mostrada em pesquisas anteriores, é confirmada por um estudo realizado pela psicóloga Nádia Maria Beserra Leite. Ela analisou 8.744 questionários, respondidos por professores de ensino fundamental e médio, como parte do seu mestrado no Instituto de psicologia (IP) da Universidade de Brasília (UnB), sob orientação do professor Wanderley Codo.

Nádia é cautelosa quanto à generalização dos resultados, mas considera os dados preocupantes. "Obter 15,7% num universo de 8 mil não é desprezível", afirma. Caso o índice seja o mesmo em todo o País, por exemplo, então mais de 300 mil professores brasileiros convivem com a síndrome, isso somente no ensino básico. Entre outras conseqüências, tal cenário levaria a um sério comprometimento na educação de milhões de alunos.

Os dados vieram à tona com informações obtidas por um questionário que permite identificar a incidência dos três sintomas que caracterizam a síndrome: exaustão emocional, baixa realização profissional e despersonalização. Com relação ao primeiro sintoma, 29,8% dos professores pesquisados apresentaram exaustão emocional em nível considerado crítico. Quanto à baixa realização profissional, a incidência foi de 31,2%, enquanto 14% evidenciaram altos níveis de despersonalização.

SUSCETIBILIDADE – A síndrome de burnout pode afetar qualquer profissional. Porém, é mais comum em pessoas que desenvolvem atividades de constante contato humano, principalmente aquelas que favorecem o envolvimento emocional. Nesse grupo estão, por exemplo, médicos, enfermeiros e professores, profissões que lidam com ideais ambiciosos e situações que nem sempre podem ser resolvidas por eles próprios, seja manter alguém vivo ou promover transformações sociais.

Os problemas surgem à medida que esses objetivos não se concretizam. "É como aquela professora que pensa em contribuir para mudar a vida dos estudantes, muitas vezes reproduzindo a dedicação que teria com os próprios filhos, mas não se sente retribuída", explica Nádia. Também se enquadra nesse perfil o professor que espera dos alunos um ótimo aprendizado do conteúdo por ele transmitido em sala de aula. Esforça-se para isso e o eventual desinteresse ou baixo rendimento dos alunos é percebido por ele como um fracasso pessoal. "Então, vem o desânimo e o cansaço", diz a pesquisadora.

SINTOMAS – De acordo com Nádia, o primeiro sinal de instalação da síndrome é a exaustão emocional. Afetivamente, significa que o docente não consegue mais se doar. "Ele percebe o esgotamento da energia e dos recursos emocionais." Quando não consegue lidar com essa sensação, desenvolve mecanismos reativos. Como alternativa ao sofrimento, acaba por se distanciar emocionalmente, tanto do seu trabalho quanto do próprio aluno. O distanciamento do trabalho, ou baixa realização profissional, caracteriza-se pela falta de envolvimento pessoal e pela indiferença aos assuntos da sua profissão, além de uma assumida sensação de ineficácia contra a qual não tem ânimo para lutar. O distanciamento do aluno, ou despersonalização, aparece na forma de endurecimento afetivo e falta de empatia.

Para a pesquisadora, a despersonalização é a face mais perversa do burnout, pois afeta justamente aquele que deveria ser objeto de atenção e cuidado. Nádia exemplifica a situação citando docentes que se referem às turmas como "aqueles pestinhas", ou que, na hora do cafezinho, tudo o que conseguem fazer é reclamar dos alunos. Qualquer referência aos estudantes será sempre negativa.

CONSEQUENCIAS – De acordo com a psicóloga, estudos vêm mostrando que professores com o problema tendem a adoecer mais, faltar ao trabalho e se tornar menos criativos. Em sala de aula, há grandes chances de piorar a relação professor-aluno. Uma relação de hostilidade entre os dois lados acabará comprometendo a aprendizagem.

Segundo Nádia, a presença do burnout em professores da educação básica levanta preocupações. "Esse período escolar acompanha uma fase essencial da formação do indivíduo. É quando a relação aluno-professor é mais necessária para a aprendizagem e o desenvolvimento integral do educando", afirma. Já os estudantes universitários são mais independentes da figura do docente.

APOIO – O estudo analisou formas de minimizar a síndrome e descobriu ser fundamental o companheirismo e a cooperação no ambiente de trabalho. Os professores que disseram ter apoio dos demais docentes apresentaram os menores níveis de exaustão emocional, despersonalização e de baixa realização profissional. A freqüência de exaustão entre indivíduos sem suporte é quase o dobro da verificada em professores que percebem estar apoiados pelos seus pares. Quanto à despersonalização e à realização profissional reduzida, os dados seguem a mesma tendência: a incidência desses sintomas é três vezes maior entre os docentes que não se sentem apoiados pelos colegas.

SOLUÇÕES – Segundo Nádia, os resultados do estudo serão úteis em estratégias de enfrentamento da síndrome. Ela considera que medidas simples podem contribuir para minimizar o sofrimento. "O mérito desse trabalho é ter mostrado, de forma científica, que é muito mais difícil enfrentar de forma solitária os estressores que levam a burnout", diz a psicóloga. "Encontramos evidências de que o suporte social no trabalho, que favoreça a construção coletiva de estratégias de enfrentamento dos problemas típicos da profissão, é uma maneira efetiva de reduzir as estatísticas da síndrome."

Nádia afirma, ainda, que esse recurso tem o mérito de ser acessível aos professores, pois depende da vontade do grupo. Atividades que estimulem a aproximação entre professores podem contribuir para evitar a tendência a expectativas profissionais inalcançáveis, substituindo-as por metas realistas e discutidas coletivamente. Mesmo a ausência de condições de trabalho adequadas pode ser minimizada pela busca em grupo de soluções criativas, deixando de ser apenas uma queixa isolada. "É muito importante a sensação de ser acolhido por pessoas que enfrentam os mesmos problemas, seja na busca por mudanças ou para conviver com o que é impossível mudar", diz.

Família potencializa síndrome

O eterno conflito entre trabalho e família é o principal elemento para desencadear a síndrome, revela a pesquisa. Isso acontece quando o professor se dedica mais do que poderia para a escola, reduzindo o tempo destinado à esposa (ou marido) e filhos, ou vice-versa. Do total de entrevistados com exaustão emocional alta, 74% indicaram vivenciar problemas para conciliar o tempo e a atenção que dedicam a essas duas instâncias tão importantes da sua vida.

Nádia destaca que esse resultado é uma indicação de quanto o trabalho docente tende a invadir o tempo que deveria ser dedicado ao lazer e aos cuidados com a família. Da maneira como o trabalho está estruturado na maioria das instituições, não há tempo, dentro da carga horária prevista, para que sejam realizadas atividades como preparar aulas, pesquisar materiais, bem como corrigir provas e trabalhos, tarefas que são levadas pra casa. Quando não consegue equacionar o problema, o professor passa a ser submetido a uma pressão em seu ambiente doméstico. Assim, já fragilizado pelos problemas que enfrenta no trabalho, fica mais exposto aos efeitos que levam a burnout.


CONTATO
Nádia Maria Beserra Leite pelo telefone 3447 5446 (empresa) e e-mail nadia@cpd.com.br.

Felicidade momentânea também vale!

Meus queridos,
Nem só de educação vive o seu amigo Dioney. Escrevo para homenagear o Obina, hoje um pé-de-coelho do Mengão, que acabou de detonar o Sport na Ilha do Retiro...
Abraços e beijos rubro-negros!
Dioney
 
p.s.: Não se surpreendam quando Obina for contratado pelo Barcelona para substituir o craque Eto'o!!!:D

YouTube - Legião Urbana - Há tempos (ao vivo)

Uma música? Uma voz? Um retrato da juventude perdida, dos sonhos abandonados? Somos educadores, quer sejamos professores ou não...
 
http://www.youtube.com/watch?v=JqFCnPvBbh4

Bibliografia complementar para o fascículo 6

ALFABETIZAÇÃO E LINGUAGEM / 2008
MÓDULO 2: Leitura, Interpretação e Produção de Textos no 3º e 4º Ciclos
Fascículo 6: Mudança Lingüística
Prof. Dr. Dioney M. Gomes

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ALI, M. S. Gramática secundária e gramática histórica da língua portuguesa. Brasília: Editora UnB, 2001.
BAGNO, M. Língua de Eulália. São Paulo: Contexto, 2000.
________. Português ou Brasileiro? Um convite à pesquisa. São Paulo: Parábola Editorial, 2001.
BAXTER, A. N. & LUCCHESI, D. “A relevância dos processos de pidginização e crioulização na formação da língua portuguesa no Brasil.” Estudos lingüísticos e literários, 1997.
CAMARA JR., J. M. História e estrutura da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Padrão, 1979.
CASTILHO, A. (org.). Para a história do português brasileiro. São Paulo: Humanitas, 1998.
CHRISTIANO, M. E. A; SILVA, R. S.; HORA, D. (orgs.). Funcionalismo e gramaticalização: teoria, análise, ensino. João Pessoa: Idéia, 2004.
COUTINHO, I. de L. Gramática histórica. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1973.
COUTO, H. H. Introdução ao estudo das línguas crioulas e pidgins. Brasília: EdUnB, 1996.
CRYSTAL, D. Dicionário de lingüística geral e fonética. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1988.
CUNHA, A. G. Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem Tupi. Brasília: EdUnB, 1998.
DUBOIS, J. et alii. Dicionário de lingüística. São Paulo: Cultrix, 1993.
FIORIN, J. L. (org.). Introdução à lingüística (vols.1 e 2). 5. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
GIVÓN, T. Syntax: a Functional-Typological Introduction. Vol. I e II. Amsterdam/Philadelphia: JBPC, 2001.
GOMES, D. M. “O vôo da Asa Branca: uma reflexão sobre a Lingüística e o Ensino
de Língua Portuguesa”. Disponível em: http://www.ftb.br/escritosterra/artigos.htm.
ILARI, R. Lingüística românica. São Paulo: Ática, 1997.
MARQUILHAS, R. “Mudança lingüística.” In: FARIA, I. H. et alii (org.). Introdução à linguística geral e portuguesa. Portugal: Caminho, 1996.
MARTINS, N. S. História da língua portuguesa: século XIX. São Paulo: Ática, 1988.
MATTOS E SILVA, R. V. O português arcaico: morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 1993.
__________. Diversidade lingüística brasileira e ensino de português: proposições comentadas. Revista Internacional de Língua Portuguesa. Lisboa, 1989.
__________. Português brasileiro: raízes e trajetórias. Ciência Hoje, vol 15/n.º 86. Nov/dez,1992.
__________. “O português são dois...” Novas fronteiras, velhos problemas. São Paulo: Parábola, 2004.
MUSSALIM, F. & BENTES, A. C. Introdução à lingüística. (vols. 1 e 2). São Paulo: Cortez, 2001.
NARO, A. J. & SCHERRE, M. M. P. Origens do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2007.
PAIVA, D. de F. História da língua portuguesa: século XV e meados do século XVI. São Paulo: Ática, 1988.
PINTO, E. P. História da língua portuguesa: século XX. São Paulo: Ática, 1988.
PINTO, R. M. História da língua portuguesa: século XVIII. São Paulo: Ática, 1988.
RODRIGUES, A. D. As línguas gerais sul-americanas. PAPIA 4(2).6-18 (1996).
__________. As outras línguas da colonização do Brasil. UnB, s/d.
RODRIGUES, J. H. A vitória da língua portuguesa no Brasil Colonial. Humanidades, vol. 1 n.º 4. Julho/setembro, 1983.
SILVA NETO, S. da. Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1950.
SOARES, M. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2003.
__________. Linguagem e Escola. Uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1993.
SPINA, S. História da língua portuguesa: século XV e meados do século XVI. São Paulo: Ática, 1988.
TARALLO, F. Tempos lingüísticos - itinerário histórico da língua portuguesa. São Paulo: Ática, 1990.
TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1980.
__________. Le portugais dans sa diversité. Actes du Colloque, Maison du Portugal, 1999.
VASCONCELOS, M. M. A. de. Da história interna das línguas latinas. São Mateus: Expresso, 2000.
VILLAR, F. Lenguas y pueblos indoeuropeos. Madrid: Istmo, 1971.
WILLIAMS, E. B. Do latim ao português. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1972.

"nóis mudemo"?

Quando mudaremos o jeito antigo de ensinar? Quando faremos a diferença na educação de nossos alunos? Quando ensinaremos o que realmente pode abrir caminhos e não fechá-los?
...

ALFABETIZAÇÃO e LINGUAGEM / 2008
MÓDULO 2: Leitura, Interpretação e Produção de Textos no 3º e 4º Ciclos
Fascículo 6: Mudança Lingüística
Prof. Dr. Dioney M. Gomes
Texto-base da aula de 27/06/2008

"NÓIS MUDEMO"
O ônibus da Transbrasiliana deslizava manso pela Belém-Brasília rumo a Porto Nacional. Era abril, mês das derradeiras chuvas. No céu, uma luazona enorme pra namorado nenhum botar defeito. Sob o luar generoso, o cerrado verdejante era um presépio, todo poesia e misticismo.
Mas minha alma estava profundamente amargurada. O encontro daquela tarde, a visão daquele jovem marcado pelo sofrimento, precocemente envelhecido, a crua recordação de um episódio que parecia tão banal... Tentei dormir. Inútil. Meus olhos percorriam a paisagem enluarada, mas ela nada mais era para mim que o pano de fundo de um drama estúpido e trágico.
As aulas tinham começado numa segunda-feira. Escola de periferia, classes heterogêneas, retardatários. Entre eles, uma criança crescida, quase um rapaz.
- Por que você faltou esses dias todos?
- É que nóis mudemo onti, fessora. Nóis veio da fazenda.
Risadinhas da turma.
- Não se diz "nóis mudemo", menino! A gente deve dizer: "nós mudamos", tá?
-Tá, fessora!
No recreio, as chacotas dos colegas: "Oi, nóis mudemo!" "Até amanhã, nóis mudemo!" No dia seguinte, a mesma coisa: risadinhas, cochichos, gozações.
- Pai, não vô mais pra escola!
- Oxente! Modi quê?
Ouvida a história, o pai coçou a cabeça e disse:
- Meu fio, num deixa a escola por uma bobagem dessa! Não liga pras gozações da meninada! Logo eles esquece.
Não esqueceram.
Na quarta-feira, dei pela falta do menino. Ele não apareceu no resto da semana, nem na segunda-feira seguinte. Aí me dei conta de que eu nem sabia o nome dele. Procurei no diário de classe e soube que se chamava Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa. Achei o endereço. Longe, um dos últimos casebres do bairro. Fui lá, uma tarde. O rapazola tinha partido no dia anterior para a casa de um tio, no sul do Pará.
- É, professora, meu fio não aguentou as gozação da meninada. Eu tentei fazê ele continua, mas não teve jeito. Ele tava chateado demais. Bosta de vida! Eu devia di té ficado na fazenda côa famia. Na cidade nóis não tem veis. Nóis fala tudo errado.
Inexperiente, confusa, sem saber o que dizer, engoli em seco e me despedi.
O episódio ocorrera há dezessete anos e tinha caído em total esquecimento, ao menos de minha parte.
Uma tarde, num povoado à beira da Belém-Brasília, eu ia pegar o ônibus, quando alguém me chamou. Olhei e vi, acenando para mim, um rapaz pobremente vestido, magro, com aparência doentia.
- O que é, moço?
- A senhora não se lembra de mim, fessora?
Olhei para ele, dei tratos à bola. Reconstituí num momento meus longos anos de sacerdócio, digo, de magistério. Tudo escuro.
- Não me lembro não, moço. Você me conhece? De onde? Foi meu aluno? Como se chama?
Para tantas perguntas, uma resposta lacônica:
- Eu sou "Nóis mudemo”, lembra?
Comecei a tremer.
- Sim, moço. Agora lembro. Como era mesmo seu nome?
- Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa.
- O que aconteceu com você?
- O que aconteceu? Ah! fessora! É mais fácil dizê o que não aconteceu. Comi o pão que o diabo amasso. E êta diabo bom de padaria! Fui garimpeiro, fui bóia-fria, um "gato" me arrecadou e levou num caminhão pruma fazenda no meio da mata. Lá trabaiei como escravo, passei fome, fui baleado quando consegui fugi. Peguei tudo quanto é doença. Até na cadeia já fui pará. Nóis ignorante às veis fais coisa sem querê fazé. A escola fais uma farta danada. Eu não devia de té saído daquele jeito, fessora, mas não aguentei as gozação da turma. Eu vi logo que nunca ia consegui fala direito. Ainda hoje não sei.
- Meu Deus!
Aquela revelação me virou pelo avesso. Foi demais para mim. Descontrolada, comecei a soluçar convulsivamente. Como eu podia ter sido tão burra e má? E abracei o rapaz, o que restava do rapaz, que me olhava atarantado.
O ônibus buzinou com insistência. O rapaz afastou-me de mim suavemente.
- Chora não, fessora! A senhora não tem curpa.
- Como? Eu não tenho culpa? Deus do céu!
Entrei no ônibus apinhado. Cem olhos eram cem flechas vingadoras apontadas para mim. O ônibus partiu. Pensei na minha sala de aula. Eu era uma assassina a caminho da guilhotina.
Hoje tenho raiva da gramática. Eu mudo, tu mudas, ele muda, nós mudamos, mudamos, mudaamoos, mudaaamooos... Superusada, mal usada, abusada, ela é uma guilhotina dentro da escola. A gramática faz gato e sapato da língua materna - a língua que a criança aprendeu com seus pais, irmãos e colegas - e se torna o terror dos alunos. Em vez de estimular e fazer crescer, comunicando, ela reprime e oprime, cobrando centenas de regrinhas estúpidas para aquela idade.
E os lúcios da vida, os milhares de lúcios da periferia e do interior, barrados nas salas de aula: "Não é assim que se diz, menino!" Como se o professor quisesse dizer: "Você está errado! Os seus pais estão errados! Seus irmãos e amigos e vizinhos estão errados! A certa sou eu! Imite-me! Copie-me! Fale como eu! Você não seja você! Renegue suas raízes! Diminua-se! Desfigure-se! Fique no seu lugar! Seja uma sombra! E siga desarmado pelo matadouro da vida..." (Fidêncio Bogo)