terça-feira, 1 de julho de 2008

Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Ana,
Muito obrigado por sua colaboração. As informações são super-úteis!
Beijo.
Dioney
 
p.s.: Caros tututores, por favor, entrem no meu blog (www.dioneygomes.blogspot.com ). Tem uma discussão fantástica lá!!! :D
----- Original Message -----
From: Ana Dilma Almeida
To: Ricardo
Cc: Dioney
Sent: Tuesday, July 01, 2008 9:13 AM
Subject: Re: [Alfabetização, Letramento e Transformação] Re: [Alfabetização, Letramento e ...

Oi, Ricardo!
Ao ler sua resposta, eu me vi posicionada em meus diferentes papéis.
Compreendo suas dúvidas e angústias e costumo lidar com a maior parte delas no meu dia-a-dia. Sou mãe, minha filha tem 4 anos e também está em processo de alfabetização. Fui alfabetizadora durante anos e atualmente trabalho com formação de professores da área de linguagem. Costumo viajar muito, inclusive atuando no Programa Pró-Letramento do MEC. Trabalho na formação de professores tutores de mais de uma centena de municípios e posso dizer que conheço um pouco da realidade educacional tão diversa e adversa desse nosso país. Acredito e defendo práticas fortalecedoras e de empoderamento! Assim, se você quiser, podemos conversar um pouco mais. Dioney tem meus telefones. Estou à disposição! De qualquer forma, acredito que você já deve ter encontrado informações sobre o Provinha Brasil. Mas vai a sugestão abaixo (http://provinhabrasil.inep.gov.br/).
Abraços.
Ana

Perguntas e respostas

O que é a Provinha Brasil?

A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica que permite auxiliar professores, coordenadores e gestores a identificar o desempenho de alunos em processo de alfabetização, no 2º ano de escolaridade do Ensino Fundamental. A intenção é que as informações geradas ajudem a compreender quais são as capacidades já dominadas pelos alunos e quais deverão ser apreendidas ao longo do ano escolar.

Para que serve?

A Provinha Brasil serve para oferecer às redes de ensino um instrumento para acompanhar a evolução da qualidade da alfabetização, prevenindo assim, o diagnóstico tardio dos déficits de letramento. Dessa forma, contribui para a melhoria da qualidade de ensino e a redução das desigualdades, em consonância com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional.

Por que avaliar?

Para saber, a tempo de sanar eventuais problemas, quais capacidades de leitura os alunos possuem e quais capacidades eles não possuem.

Foram identificados, em alunos da 4ª série, problemas como baixa proficiência nas provas de leitura - e a falta de domínio de leitura pode inviabilizar o bom prosseguimento dos estudos. Assim, para atuar preventivamente, é necessário detectar dificuldades e defasagens dos alunos na fase inicial de modo que as intervenções possam acontecer no momento certo.

Quem avalia?

O Ministério da Educação, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) elaborou um conjunto de instrumentos de avaliação disponibilizado aos gestores das redes. A aplicação fica a critério das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação.

Quem aplica?

O teste foi elaborado de forma que o próprio professor possa aplicá-lo. No entanto, a critério do gestor, outras pessoas podem aplicar o teste, como professores de outras turmas ou coordenadores pedagógicos de outras escolas, desde que devidamente capacitados. Como essa avaliação tem características distintas das realizadas no quotidiano escolar, para aplicá-la, é necessário seguir atentamente as orientações contidas no documento "Caderno do professor/aplicador".

Quem corrige?

Os resultados também poderão ser corrigidos pelo próprio professor da turma (ou pelo aplicador do testes), a partir do Guia de Correção, que traz as orientações de como corrigir os testes e de como interpretar os dados. Assim, o professor poderá saber o nível de desempenho de sua turma de modo imediato. Da mesma forma, os resultados de cada turma poderão ser coletados e agregados de modo a ser ter um panorama da escola, da regional de ensino ou de toda a rede (municipal ou estadual).

Quem será avaliado?

A Provinha Brasil foi preparada para avaliar a aprendizagem das crianças após um ano de escolarização. Nas escolas cujo Ensino Fundamental tem duração de nove anos (onde as crianças ingressaram aos seis anos de idade), os estudantes deverão fazer o teste no 2º ano (quando tiverem sete anos). Já nas escolas que ainda mantêm o Ensino Fundamental com duração de oito anos (ingresso das crianças aos sete anos de idade), os estudantes deverão fazer o teste na 2ª série (quando tiverem oito anos).

Apesar da diferença na média de idades dos alunos que farão o teste, isto não representa problema, visto que o foco dessa avaliação está na contribuição da educação formal para a alfabetização – por isso se tomou como referência os anos de escolaridade.

O que será avaliado?

Na Provinha Brasil serão avaliadas habilidades relativas à alfabetização e ao letramento inicial dos estudantes.

Como nem todas as habilidades a serem desenvolvidas durante o processo de alfabetização são passíveis de verificação por meio da Provinha Brasil, em vista das características específicas do instrumento e da metodologia utilizada foi necessário selecionar algumas dessas habilidades para construir o teste.

Assim, as habilidades definidas para avaliar a leitura e a escrita são aquelas que podem dar informações relevantes em função dos objetivos propostos e das condições impostas no âmbito desta avaliação.

Tais habilidades foram organizadas e descritas na "Provinha Brasil - Matriz de Referência Para Avaliação da Alfabetização e do Letramento Inicial".

As habilidades constantes na Matriz de Referência estão fundamentadas na concepção de que alfabetização e letramento são processos a serem desenvolvidos de forma complementar e paralela, entendendo-se a alfabetização como o desenvolvimento da compreensão das regras de funcionamento do sistema de escrita alfabética e letramento como as possibilidades de usos e funções sociais da linguagem escrita, isto é, o processo de inserção e participação dos sujeitos na cultura escrita.

A matriz é apenas uma referência para a construção do teste, é diferente de uma proposta curricular ou programa de ensino, estes últimos mais amplos e complexos.

Matriz de Referência de Avaliação em Alfabetização e Letramento: Provinha Brasil

Eixo
Descritores de Habilidades
Apropriação do sistema da escrita
D1. Diferenciar letras de outros sinais gráficos, como os números, sinais de pontuação ou de outros sistemas de representação.
D2. Identificar letras do alfabeto
D3. Reconhecer palavras como unidade gráfica.
D4. Distinguir diferentes tipos de letras.
D5. Identificar sílabas de palavras ouvidas e/ou lidas.
D6. Identificar relações fonema/grafema (som/letra).
Leitura
D7. Ler palavras.
D8. Localizar informação em textos
D9. Inferir informação.
D10. Identificar assunto de um texto lido ou ouvido.
D11. Antecipar assunto do texto com base em título, subtítulo, imagens.
D12. Identificar finalidades e funções da leitura em função do reconhecimento do suporte, do gênero e da contextualização do texto.
D13. Reconhecer a ordem alfabética.
D14. Estabelecer relações de continuidade temática.
Escrita
D15. Escrever palavras.
D16. Escrever frases.
D17. Escrever textos.*
* Por questões operacionais, o descritor D17 não foi contemplado na primeira edição da Provinha Brasil.

Como será o teste?

O teste desta primeira edição de 2008 é composto por 24 itens de múltipla escolha, com quatro opções de resposta. Há itens que o aplicador deverá ler em sua totalidade. Outros, o aplicador deverá ler parcialmente. Há, ainda, itens que serão lidos apenas pelos alunos. Há três itens de escrita.

O teste foi organizado por conjuntos de itens, divididos entre aqueles considerados "fáceis", "médios" e "difíceis" para a etapa da escolaridade à qual se destinam.

A organização dos itens por níveis de complexidade reforça o caráter pedagógico que se quer alcançar com a Provinha Brasil. O equilíbrio entre questões mais "fáceis" e questões mais "difíceis" dará visibilidade às competências exigidas no processo de alfabetização, de modo a integrar as suas diferentes etapas e os diferentes saberes nelas envolvidos.

Nesta primeira versão os testes de escrita e seus manuais de correção se resumirão às habilidades escrever palavras e frases, não se inclui ainda a habilidade de escrever textos pois exige uma grade de correção mais sofisticada, ainda em desenvolvimento.

Apenas os itens de múltipla escolha foram utilizados como base para a construção dos níveis de desempenho. Os itens de escrita possuem uma grade de correção à parte. Sendo assim, para análise dos resultados do teste deve-se considerar os dois elementos. A integração dos dois instrumentos numa mesma grade também esta sendo desenvolvida.

Quando será a avaliação?

A proposta é que sejam aplicados instrumentos ao longo do segundo ano de escolarização do Ensino Fundamental. A avaliação poderá ser realizada no início do ano letivo, como uma avaliação de sondagem, e também ao término, com o intuito de verificar o avanço das crianças no processo de alfabetização.

Será aplicada apenas uma prova por ano?

O Inep disponibilizará duas provas, em dois momentos distintos. No primeiro semestre de cada ano, será disponibilizado um instrumento a ser aplicado ainda no início do ano letivo. No segundo semestre, será oferecido novo instrumento, para ser aplicado no final do ano.

Esses testes têm resultados comparáveis e isso possibilitará às secretarias avaliar o progresso no processo de aquisição de competências e habilidades por parte do alunado ao longo deste período de escolarização.

Qual a vantagem de aplicar dois testes no mesmo ano?

A proposta de avaliar no início e ao término do segundo ano de escolarização possibilitará aos professores e gestores educacionais:

a) a realização de um diagnóstico dos níveis de domínio dos códigos e de compreensão da leitura e da escrita que as crianças demonstram já no início do ano letivo;

b) o conhecimento posterior do que foi agregado ao desempenho dessas mesmas crianças ao término desse período;

c) o monitoramento do desenvolvimento de cada criança, com base nas informações coletadas por essa avaliação;

d) o aperfeiçoamento e a reorientação das práticas pedagógicas com vistas à consecução de níveis satisfatórios de alfabetização e letramento.

Quais as informações geradas por esse tipo de avaliação?

Uma avaliação da fase inicial da alfabetização pode trazer para o professor e para o gestor da escola informações que vão contribuir para o aperfeiçoamento e a reorientação das práticas pedagógicas, de modo a permitir níveis mais satisfatórios de alfabetização e letramento do que aqueles apresentados atualmente.

Entre outras informações é possível prever:

  • Quais capacidades de leitura e escrita os alunos dominam?
  • Quais capacidades de leitura e escrita a escola agregou ao desempenho de seus alunos em um ano de escolaridade?
  • Quais dificuldades em leitura e em escrita os alunos apresentam ao final de dois anos de escolaridade?
  • Quais capacidades necessitam a ser consolidadas ainda nos anos iniciais do Ensino Fundamental?

Quais os benefícios de participar do processo de avaliação?

A participação numa avaliação como a proposta traz benefícios para todos os envolvidos no processo educativo:

  • Os alunos poderão ter suas necessidades melhor atendidas mediante o diagnóstico realizado e, assim, espera-se que o seu processo de alfabetização aconteça satisfatoriamente.
  • Os professores alfabetizadores contarão com um instrumental valioso para identificar de forma sistemática as dificuldades de seus alunos, possibilitando a reorientação do que ensinar e de como ensinar. Além disso, as análises e interpretações dos resultados e os documentos pedagógicos a eles relacionados poderão constituir uma fonte de formação.
  • Os gestores poderão fazer escolhas bem fundamentadas em sua gestão, ganhando elementos para o planejamento curricular e subsidiar a formação continuada dos professores alfabetizadores, a fim de melhorar a qualidade do ensino em sua rede.

Como participar?

A Provinha Brasil é de adesão voluntária e aberta a todos os gestores das redes públicas estaduais, municipais e do Distrito Federal, bastando que os mesmos procedam da seguinte forma:
  • realizar a adesão por meio desta página eletrônica, prestando as informações necessárias e declarando concordância com os termos e condições de utilização ali expressos;
  • acessar os materiais (Kit) em versão eletrônica por meio de senha própria.

Um total de 3.133 municípios receberão o material impresso. Ele será entregue na secretaria municipal de educação.

O que compõe o KIT Provinha Brasil?

O material da Provinha é composto por:

  • Provinha Brasil – Passo a Passo – um guia contendo as principais informações como antecedentes, contextualização, pressupostos, matrizes, metodologia, escala e possibilidades de uso e interpretação das informações;
  • Provinha Brasil – Caderno do Aluno - é a prova do aluno a ser impressa e que o aluno usará durante a avaliação – composto por 24 itens de múltipla escolha e 3 itens de escrita;
  • Provinha Brasil - Caderno do professor/aplicador – orientações específicas para a aplicação das provas com a reprodução do Caderno do Aluno acrescidos dos comandos e orientações a serem usadas no momento da aplicação. Este documento também contém orientações de correção e comentários pedagógicos sobre a prova;
  • Provinha Brasil – Como Entender os Resultados – Guia de Correção" – manual para interpretar os resultados da avaliação;
  • Provinha Brasil - Reflexões sobre a prática – orientações, sugestões e ações a serem implementadas no âmbito pedagógico e administrativo.

Qual a diferença entre Provinha Brasil, SAEB e a Prova Brasil?

As principais diferenças entre esta avaliação que está sendo proposta e as já existentes relacionam-se ao tipo de informações produzidas e ao objetivo de cada uma delas.

A Provinha Brasil fornecerá respostas diretamente aos alfabetizadores e gestores da escola, enquanto os resultados do SAEB e da Prova Brasil, embora sejam muito úteis a professores e gestores, permitem informações mais amplas no âmbito do sistema educacional (do país, dos estados, dos municípios e escolas). Reforça-se, assim, a idéia de que esta atual proposta seja uma avaliação diagnóstica – um instrumento pedagógico sem finalidades classificatórias.

O SAEB e a Prova Brasil são avaliações externas, ou seja existe sempre um aplicador externo à rede e aos alunos que participam do processo de avaliação, sendo o INEP o responsável pela aplicação. No caso da Provinha Brasil, o aplicador não necessariamente é elemento externo aos alunos já que a própria rede tem a opção de aplicar os instrumentos com seus próprios professores, cabendo ao INEP a responsabilidade de elaboração e montagem dos instrumentos.

Na Prova Brasil e no SAEB o processamento, as análises, a interpretação e a divulgação dos resultados são de responsabilidade do INEP. Em função da utilização de metodologias e técnicas estatísticas complexas, os resultados de apuração e divulgação não são imediatos. Na Provinha Brasil o processamento e a interpretação dos resultados podem ser feitos pelas próprias redes pois, apesar de o instrumento ter sido construído pelo INEP com rigor estatístico antes de aplicação, ele permite uma leitura e interpretação imediata dos resultados por parte dos professores/gestores das redes.

Um comentário:

Ricardo disse...

Obrigado pela resposta, Ana.

Vi vários pontos que considero problemáticos, mas vou ler com mais calma e comentar depois. De qualquer forma, um item da Matriz de Referência merece atenção: "D4. Distinguir diferentes tipos de letras". Isso inclui a letra cursiva, uma letra morta que alguns alfabetizadores consideram importante por motivos conservadores??

Abraço,
Ricardo