Prof. Dioney
"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro." (Jung) "Não existe amor... Só existem provas de amor..." (Titãs) "Não importa se você é letrado ou não. O que importa é se você vive aquilo que você fala." (Teatro Mágico)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Fw: tirinha inteligente
Prof. Dioney
sexta-feira, 15 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Fw: Supremo Ministro
Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: "Respeite, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa "bondosa" assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: "Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: "Respeite, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!"
Naquele dia, Ogum, Xangÿ e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anÿnimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo.
Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor.
Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros.
Jorge Portugal, baiano de Santo Amaro da Purificação, educador, poeta, membro do Cons. Nacional de Política Cultural secretaria@jorgeportugal.com.br
(Transcrito da página de Opinião do jornal A Tarde, da Bahia, de 28.4.09)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
comunicação, linguagem, animais, seres humanos
Prof. Dioney
terça-feira, 21 de abril de 2009
sobre o dialeto de Brasília: abordagem do léxico
Prof. Dioney
segunda-feira, 20 de abril de 2009
literatura indígena
Prof. Dioney
domingo, 19 de abril de 2009
Fw: CBNews - Um amigo se lembrou de você
título: Jovens se preparam para ser os primeiros surdos a virarem mestres na UnB
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Fw: [etnolinguistica] Resumo 1083
Mensagens neste resumo (1 Mensagem)
- 1.
- Funai lança programa de documentação de línguas indígena De: rmleitao
Mensagem
- 1.
-
Funai lança programa de documentação de línguas indígena
Enviado por: "rmleitao" rmleitao@terra.com.br
Qui, 16 de Abr de 2009 1:31 pm
Funai lança programa de documentação de línguas indígenas
Programa disponibilizará equipamentos digitais de alta tecnologia aos jovens índios para o registro dos idiomas
A Fundação Nacional do Índio (Funai) lançou nesta terça-feira, dia 14, o programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Brasileiras, em Brasília. O objetivo da iniciativa é fortalecer cerca de 20 línguas nativas que estão correndo o risco de desaparecer.
Também foi aberta a exposição Tisakisu - Tradição e Novas Tecnologias da Memória elaborada pelos índios da etnia Kuikuro, localizada no Alto Xingu (MT).
De acordo com o presidente da Funai, Márcio Meira, o programa irá disponibilizar equipamentos digitais de alta tecnologia aos jovens índios para o registro das formas de comunicação indígena.
"Documentar uma língua é mais do que escrever uma gramática ou um dicionário. É preciso reunir gravações em áudio e vídeo que representem todos os gêneros da fala indígena", afirmou.
O presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu, Mutua Mehinaku, afirmou que, no início, a realização dos trabalhos da exposição foi difícil pela resistência dos mais velhos da tribo.
"Quando começamos o trabalho foi difícil porque os mais velhos não aceitaram as câmeras, mas depois que explicamos que era para o futuro da língua do povo indígena, eles aceitaram", disse.
Com o programa, será criado um acervo digital, um dicionário, uma gramática básica, mídias de divulgação e publicações científicas, abrangendo as etnias localizadas no Parque Indígena do Xingu, no estado de Mato Grosso.
Segundo Meira, existem 180 línguas nativas no Brasil e a expectativa é de que o programa cresça e passe a documentar a língua de todo povo indígena do Brasil. "O programa será aplicado em várias etnias indígenas, a princípio o foco é nos povos xinguano porque a iniciativa partiu deles", informou.
A exposição fica no Salão Negro do Ministério da Justiça até o dia 14 de maio e apresenta um acervo de 11 vídeos, 100 fotos e dois filmes produzidos pelos índios kuikuro.
(Agência Brasil, 14/4)
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Rosani Moreira Leitão
Coordenadora de Antropologia do Museu Antropológico
Universidade Federal de Goiás
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Fw: À Secretaria de Cultura do DF
Solicito aos amigos e amigas que repassem.
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À Secretaria de Cultura do DF
Sr. Silvestre Gorgulho - Secretário
Sr. Beto Sales – Subsecretário
Brasília, 12 de abril de 2009.
Senhores,
Aproxima-se o aniversário de Brasília, dos seus 49 anos, e a cidade continua carente de projetos culturais sólidos. As discussões comumente giram em torno apenas do FAC, aquele fundo cuja verba os senhores são responsáveis por atrasar e protelar, deixando boa parte dos artistas brasilienses com suas produções no meio do caminho, onde há sempre "uma pedra", "uma pedra", "uma pedra" chamada politicagem de gabinete. Somos sempre informados de que 'pareceristas' serão contratados e que haverá maior agilidade na liberação dos recursos, das dificuldades do governo etc. Lamentavelmente, os senhores não falam a verdade.
No entanto, em paralelo a essa postura, aliás, embasada por um discurso salva-almas, como o de determinadas igrejas do mundo midiático moderno, somos surpreendidos com a notícia de que um tal Edu Casanova, célebre desconhecido da "axé music" recebeu R$ 800.000,00 da BrasiliaTur para divulgar o aniversário da cidade no carnaval baiano, e ainda, de quebra, o convite para escrever o hino dos 50 anos, uma letra por sinal medíocre, divulgada pelo Correio Braziliense. Poetas como Cassiano Nunes, Fernando Mendes Viana ou Renato Russo devem estar dando cambalhotas no túmulo... De tanto rir. Agora, na divulgação da programação das festividades de 21 de abril (http://www.youtube.com/watch?v=QkHSM6BkvM8, vídeo feito por Cacai Nunes), levamos um soco na cara, no formato de notícia de que para mostrar a "alma da cidade" (palavras do Sr. vice-governador), teremos como principais atrações Xuxa e Cláudia Leite, sem dúvida, duas das principais referências no que diz respeito ao que de pior a indústria cultural já produziu no Brasil nos últimos anos, com cerca de R$ 950.000, 00 de cachê só para as duas, sem contar o restante da programação. E tudo isso, segundo o Sr. Roney Nemer, demissionário da BrasiliaTur, com a anuência da Secretaria de Cultura do DF. E mais uma vez, os artistas da cidade são desrespeitados. Cabe-lhes apenas o papel de coadjuvantes em sua própria festa, em sua própria casa e de sua própria história.
Tais fatos, senhores, reflete um outro grande mal da política brasileira, ou seja, a velha fórmula do "pão e circo". Os senhores adotam as mesmas e viciadas estratégias do coronel do cerrado Joaquim Roriz, que teve que renunciar ao cargo de senador, da mesma forma que o vosso governador José Roberto Arruda, diante de denúncias sobre querer se beneficiar de forma particular no uso de um cargo público. É aquela mesma visão política que entende o povo como "povão", uma espécie de massa disforme sem identidade ou vontade própria; e não como gente que pensa, trabalha e sua na construção do país. Que não vê a arte como instrumento fundamental para a construção de um mundo melhor, e que ao mesmo tempo abre espaço para os oportunistas que se alimentam da miséria cultural para vomitar a alienação pérfida de todos os dias.
Pergunto: Os senhores se sentem bem concordando com tudo isso? Os senhores conseguem olhar para os próprios filhos todas as manhãs, sabendo que lá fora a cidade está ficando cada vez mais violenta, pois entre tantos fatores responsáveis por isso, é órfã de políticas culturais e educacionais que promovam a paz e a construção do pensamento crítico e cidadão? Os senhores se sentem realizados humana e profissionalmente nos cargos que ocupam ou se acomodam diante da transitoriedade de um cargo político abençoado por conchavos de bastidores, que após um "lava-mãos" regado ao cafezinho morno de uma repartição pública, suas consciências repousarão tranqüilas?
A classe artística de nossa cidade se sente cansada, usada, desrespeitada e violentada diante desse governo. Educação e cultura para os senhores são valores meramente imediatistas, e que, definitivamente, não constam de sua plataforma de projetos ou de trabalho.
Nosso alento, no entanto, é saber que vocês passarão (sem nunca terem vindo). Seria mais digno se os senhores colocassem seus cargos a disposição, pois a Secretaria de Cultura atualmente não passa de um simples anexo da BrasíliaTur.
Triste biografia.
Atenciosamente,
Adeilton Lima - Ator
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Fw: A estranha beleza da Lingua Portuguesa
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Re: vídeos you tube
Prof. Dioney
"Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu'avec le coeur.
L'essentiel est invisible pour les yeux. (...) Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé."
(Le Petit Prince, Antoine de Saint-Exupéry)
----- Original Message -----From: Renata AlvettiSent: Friday, April 03, 2009 12:12 AMSubject: vídeos you tubeOi professor, é a Renata, da aula de Introdução à Linguística.
Escolhi três vídeos do comediante canandense (filho de indianos). Espero que você goste =]
http://www.youtube.com/watch?v=QYiteaPBlz0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=r8lEbiTJoMM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Nn5jlrxcpkI
domingo, 29 de março de 2009
Emailing: O fim do isolamento dos índios surdos.htm
Abraços,
Prof. Dioney
Edição 208 12/2007
O fim do isolamento dos índios surdos
Conheça o desafio das escolas indígenas em educá-los na língua portuguesa, no idioma da aldeia, na linguagem de gestuais própria da tribo e na língua brasileira de sinais

Foto: Edu Lyra
Amarildo Inácio, índio da etnia caingangue, tem 15 anos e desde 2004 está vivendo uma experiência bastante rica: estudar de verdade.
Até então, a Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre, em Ipuaçu, a 511 quilômetros de Florianópolis, onde está matriculado desde a 1ª série, não tinha uma política de inclusão de alunos com deficiência. Com surdez total em um ouvidoe parcial em outro, o garoto estava lá fazendo número, sem aprender. Amarildo sempre tentou se comunicar com os demais membros da aldeia, mas ninguém o entendia. Além de não conseguir pronunciar bem as palavras, misturava dois idiomas – o português e o caingangue. Seus gestos eram compreendidos por poucos e, durante muito tempo, ele foi considerado um deficiente mental.
Há três anos, a surdez do garoto e de outras sete crianças da tribo foi identificada, levando a gerência regional da Secretaria de Educação de Santa Catarina aimplantar um programa pedagógico paraatender às necessidades do grupo. "Foi muito difícil estabelecer uma comunicação mínima com os estudantes no início do processo. Primeiro, tive de conquistar a confiança deles", conta Marisa Giroletti, pesquisadora na área de processos inclusivos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O Ministério da Educação (MEC) não informa quantos dos 163 693 indígenas matriculados na rede pública têm deficiência auditiva – entre os não-índios são 15 mil. Sem uma política nacional paraatendê-los, cada comunidade encontra suas próprias soluções para levar esses estudantes a avançar na aprendizagem. Em 2001, com a aprovação do Plano Nacional de Educação, as escolas indígenas conseguiram garantir a identidade cultural e lingüística de suas populações por meio de um currículo diferenciado. Das 2 323 escolas indígenas existentes no Brasil, 1 818 já oferecem Educação bilíngüe.
Preconceito cultural
A inclusão de crianças com deficiência, um dos maiores e mais complexos desafios nessa área, no entanto, está só começando, como mostra a experiência da Escola Cacique Vanhkre. Lá, como em outras populações do país, a dificuldade em colocar a criança deficiente estudando com as demais encontra barreiras na própria família. "Os deficientes geralmente são encarados como um impedimento à sobrevivência de um povo. O trabalho da equipe pedagógica é imenso para convencer os pais a permitir o convívio deles com outras pessoas da comunidade", explica o antropólogo Giovani José da Silva, especialista em Educação Indígena, de Campo Grande. No passado, era comum que, tão logo fosse detectada na criança indígena alguma característica diferente das apresentadas pelo restante do grupo, ela fosse abandonada e até morta. Ainda hoje, em muitos casos, ela é afastada do convívio social e não estuda.
Vencida a barreira imposta pela família e pela cultura, e incluída a criança na escola, o próximo passo é garantir a aprendizagem dela. Amarildo esperou bastante tempo para que isso ocorresse. Imagine a dificuldade enfrentada por seus professores para se comunicar com ele. Como fazer com que um aluno assim aprenda de verdade e tenha os mesmos direitos assegurados aos outros estudantes?
O desafio levou a pesquisadora Marisa a aldeias caingangues. O objetivo dela era fazer com que crianças e jovens conhecessem a língua brasileira de sinais (libras), já que não conseguiu identificar uma linguagem de gestos própria naquele povo. "Com o passar do tempo, porém, percebi que havia sinais compartilhados pelos surdos da comunidade. Nós é que precisávamos conhecer o gestual para melhorar a comunicação e levar os surdos a avançar na aprendizagem." Amarildo e seus colegas, portanto, tinham uma maneira de se comunicar que precisava ser valorizada.
Essa experiência está contida na pesquisa de mestrado de Marisa. Nela, é identificado e registrado para fins educacionais o que se convencionou chamar de sinais kaingang da aldeia (SKA), uma linguagem gestual e visual que está em formação e pode se consolidar como língua. O glossário já tem cerca de 50 termos, mas isso é apenas o início de uma pesquisa sobre a comunicação local. A sobrevivência do SKA vai depender de uma política lingüística que incentive a sua manutenção e das condições sociais, como o contato entre os surdos. "É da natureza desse tipo de expressão se misturar a outras e caminhar para uma consolidação cada vez mais complexa ou morrer", explica a lingüista Ronice Müller Quadros, coordenadora do curso de libras da UFSC. Além de libras, há apenas mais uma língua de sinais oficial no Brasil, a da comunidade urubu-kaapor, que vive no sul do Maranhão.
A prática escolar
Assim que a equipe da Escola Cacique Vanhkre percebeu a existência de sinais locais, Sonimara da Silva, professora bilíngüe (português e libras), teve grande preocupação em aprendê-los e incorporálos à comunicação com as crianças surdas. "Elas mesmas nos ensinam os gestuais. Passamos a utilizá-los no dia-a-dia, paralelamente à libras", explica. O interessante é que a turma distingue perfeitamente a língua brasileira de sinais e o SKA. Isso garante o diálogo com surdos dentro e fora da aldeia.
A professora é também regente da sala especial – que tem sete alunos e é multisseriada. Ela alfabetiza as classes em português e trabalha em parceria com um professor de caingangue (em que as crianças também aprendem a ler e escrever) e com um instrutor de libras.
Todos sabem os sinais locais e mantêm contato permanente com Marisa, criando estratégias para compartilhar o conhecimento. Amarildo já passou pela sala especial e está concluindo a 6ª série. Existe uma corrente favorável à freqüência de surdos em salas regulares desde a Educação Infantil e outra que sugere a matrícula deles em salas especiais ao menos até se alfabetizarem. "Isso não é definido pelo Conselho Nacional de Educação e não há consenso sobre a questão", explica Daniela Alonso, selecionadora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10 na área de Educação inclusiva. Na Cacique Vanhkre, a experiência tem trazido resultados positivos. "Antes da criação da sala especial e da sala de recursos na escola, as crianças com deficiência auditiva vinham apenas para passear", conta Sonimara. Hoje elas dominam dois idiomas, mais as linguagens de sinais, e se saem muito bem quando passam para a 5ª série.
Amarildo já escreve em caingangue e em português e se destaca na turma ao lado de uma colega surda, Silvana Fragoso, de 17 anos. Os resultados dos dois são evidentes. Durante um projeto de Ciências sobre ervas medicinais, eles foram aos arredores da escola colher as plantas mencionadas em aula. A proposta deu oportunidade a Amarildo e a Silvana de batizarem as hortaliças, para as quais não havia sinais correspondentes em libras. Depois, em grupo com os demais colegas, eles confeccionaram cartazes sobre os usos medicinais das espécies e fizeram uma apresentação na feira cultural. "A turma toda, pela convivência com os dois, já domina sinais suficientes para se comunicar com eles", conta a professora.
Formação de professores

A experiência de Ipuaçu guarda semelhanças com a das aldeias bororó e jaguapiru, na reserva de Panambizinho, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. Lá vivem índios guaranis-caiovás. Nessa região, porém, há uma preocupação a mais na construção de uma escola inclusiva: a de que os professores e intérpretes sejam índios da própria comunidade. Existem hoje no município três ações paralelas de capacitação docente: um curso de libras para professores indígenas (que a partir de 2008 serão os intérpretes nas escolas), a formação de uma profissional (que servirá como multiplicadora) no curso a distância de Atendimento Educacional Especializado oferecido pelo MEC e a participação de educadores da comunidade na licenciatura indígena da Universidade Federal da Grande Dourados, que também discute a inclusão em seu currículo. "A idéia é que membros da comunidade atuem no processo educativo, inclusive no que diz respeito à inclusão e no reconhecimento dos gestuais locais", diz Elza Pedrozo, coordenadora de Educação especial do município.
Antes que esses profissionais se formassem, porém, a Secretaria Municipal de Educação iniciou, em 2006, o trabalho de inclusão de cinco surdos em duas escolas: a EM Indígena Agustinho e a EM Indígena Tengatuí-Marangatú. Para que o processo ocorresse a contento, a primeira medida foi contratar intérpretes de libras – já que ali não havia uma língua de sinais local identificada.
Para aprimorar o reconhecimento o registro dos "sinais caseiros" – termo usado no caso de línguas emergentes –, a lingüista Shirley Vilhalva trabalha no local. "É fundamental que se considere essa forma de comunicação como um elemento cultural,mesmo que ainda não se saiba o seu grau de complexidade e elaboração dos signos", afirma a pesquisadora. O que está em jogo nesse caso, de acordo com ela, é a identidade de um povo, contida nas marcas típicas de sua expressão oral ou não.
Tanya Felipe, professora da Universidade Estadual de Pernambuco e coordenadora do Programa Nacional Interiorizando a Libras, ligado ao MEC, defende a decisão tomada em Dourados e Ipuaçu. Para ela, antes de aprender conteúdos do currículo, as crianças devem adquirir uma primeira forma de expressão e, se não houver uma comunicação por sinais na comunidade em que vivem, a libras cumprirá esse papel. A questão é polêmica, mas o que é ponto pacífico entre os especialistas é a necessidade de sistematizar e incorporar os gestos criados pela população local no cotidiano, legitimando essa forma de comunicação. "É importante que a língua de sinais seja estimulada pelos intérpretes e professores da escola. As crianças apoiam a utilização dessa expressão", afirma Ronice, da UFSC. A valorização desse saber local, da identidade lingüística e de sua inclusão no currículo é o que garante a diversidade cultural das escolas indígenas.
Libras não é a única
Há cerca de 180 línguas e dialetos indígenas no Brasil. O guarani, por exemplo, tem mais de 30 mil falantes, e outras, como o ianomami e o caingangue, contam com mais de 5 mil usuários. A única língua indígena de sinais reconhecida, porém, é a da comunidade urubu-kaapor, no sul do Maranhão. O povo dessa localidade remota na região amazônica tem elevada incidência de pessoas surdas (uma em cada 75) e desenvolveu uma forma própria de comunicação por sinais que começou a ser estudada na década de 1960 pelo pesquisador canadense James Kakumasu e em seguida pela professora brasileira Lucinda Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Uma característica interessante desse caso é que toda a comunidade domina os gestos, permitindo que exista a comunicação fluente entre ouvintes e surdos. "Trata-se de uma língua com o uso social de modo pleno", afirma Ayron Rodrigues, da Universidade de Brasília. "Em uma aldeia de 60 pessoas, por exemplo, todos se comunicam com as pessoas surdas. Elas não constituem
uma comunidade à parte." Mas, nas escolas, a inclusão das crianças com deficiência auditiva ainda caminha a passos lentos.
Não se tem notícias de outro caso no Brasil de uma comunicação análoga à de sinais urubu-kaapor – também pelo fato de os estudos na área serem muito recentes. Um primeiro passo, no entanto, foi dado com a criação do Inventário Nacional de Diversidade Lingüística, que será encabeçado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto visa coordenar o estudo de diversas línguas minoritárias no país – as de sinais, inclusive. É um trabalho e tanto, haja vista que a cada duas semanas um idioma se extingue no mundo – segundo levantamento feito pelo projeto Enduring Voices, da revista National Geographic –, levando com ele histórias e saberes.
Quer saber mais?
CONTATOS
EM Indígena Agustinho, Rod. MS-162, Reserva Indígena Bororó, 79823-000
EM Indígena Tengatuí-Marangatú, Rod. MS-156, Reserva Indígena Jaguapirue Panambizinho, 79823-000, Dourados, MS,tel. (67) 9633 -9932
Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkre, Posto Indígena Xapecó, 89832-000, Ipuaçu, SC Marisa Giroletti, marisasr2002@yahoo.com.br Shirley Vilhalva, shivi323@hotmail.com
quinta-feira, 12 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
reflexões
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
determinismo biológico?
"El determinismo biológico no me
convence. Creo en la cultura y en la
educación como pilares básicos del
futuro"
Mª ANGUSTIAS OCHOA
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
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