sexta-feira, 18 de julho de 2008

Fw: Natureza Humana: Tribo da Amazônia contradiz noção de que contar é capacidade "inata"

 

 
 

Tribo da Amazônia contradiz noção de que contar é capacidade 'inata'

A língua falada por uma tribo amazônica que não tem palavras para designar números contradiz a noção de que o ato de contar seria inerente à capacidade cognitiva de seres humanos, afirma um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT).

A língua da tribo Pirahã, que vive às margens do rio Maici, em Rondônia, vem sendo estudada há vários anos por suas características singulares. 
 
No estudo recente, publicado na revista científica Cognition, o professor Edward Gibson afirma que os Pirahã não têm palavras para expressar o conceito de "um" ou de outros números específicos.

Segundo a pesquisa, a tribo teria apenas expressões para designar quantidades relativas, como "muitas", "poucas" ou "algumas".

De acordo com Gibson, é comum assumir que contar é uma parte inata da capacidade cognitiva humana, mas "aqui está um grupo que não conta.

Eles poderiam aprender, mas não é útil em sua cultura, então eles nunca aprenderam".

"A pesquisa oferece provas de que as palavras que designam números são um conceito inventado pelas culturas humanas conforme a necessidade e não uma parte inerente da linguagem", disse Gibson.

Experimento
A pesquisa partiu de um estudo publicado em 2005 pelo lingüista Dan Everett, que viveu com os índios Pirahã entre 1997 e 2007.

A pesquisa de Everett dizia que a tribo tinha palavras para expressar a quantidade "um", "dois" e "alguns".

Gibson, no entanto, fez um experimento no qual a equipe apresentava um objeto ao índio e adicionava um novo objeto de cada vez até completarem 10.

Durante o processo, os pesquisadores pediam para que os índios contassem quantos objetos estavam expostos.

A equipe observou que a palavra que anteriormente foi identificada como se representasse o número "um" foi usada pelos Pirahã para expressar qualquer quantidade entre um e quatro.

Além disso, a palavra antes associada ao número "dois" foi usada pelos índios quando cinco ou seis objetos estavam expostos.

"Essas não são palavras para contar números. Elas significam quantidades relativas", afirmou Gibson.

Segundo ele, essa estratégia de contagem não havia sido observada antes, mas poderia ser encontrada em outras línguas na qual se usam as palavras um, dois e alguns para se contar.

A pesquisa de Gibson faz parte de um amplo projeto que investiga a relação entre a cultura da tribo Pirahã com sua cognição e linguagem, com base nos estudos do lingüista Dan Everett.
 
 

Um comentário:

Thalita "Chan" Siqueira disse...

Essa pesquisa do Gibson realmente comprova que números são criados de acordo com a necessidade dos falantes de uma língua. O caso dos pirahã pode ser comparado a um caso muito comum no inglês. Em exemplos como: "There is one apple over the table", onde o numeral "one" designa a real quantidade de maçãs, e "There are some apples over the table", onde "some" não nos dá uma quantidade exata de elementos que possam estar sobre a mesa, podendo ser dois ou mais. Uma comparação meio boba, mas que nos mostra que, embora o inglês possua numerais específicos para determinadas quantidades (assim com também o português), também se utiliza de outros mecanismos para demosntrar as quantidades, espeficicando-as ou não.